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As principais características da Filosofia Nascente

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Observação: A fonte do texto a seguir é: MONDOLFO, Rodolfo. O Pensamento Antigo. Vol I, 3ª Edição. Editora Mestre Jou: São Paulo, 1971, pp. 09-15.

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AS ORIGENS E OS ELEMENTOS PREPARATÓRIOS DA FILOSOFIA GREGA

1. O problema das origens das culturas orientais: as noções científicas e os conceitos especulativos orientais.

[A História da Filosofia Grega encontra-se, em seu início, frente ao discutidíssimo problema das origens, que se refere particularmente às relações da Ciência e da Filosofia helênicas com a anterior sabedoria oriental. As grandes civilizações orientais, mesopotâmicas (isto é, sumérica e caldaica ou assírio-babilônica, iraniana, egípcia, fenícia etc), com as quais já havia estado em relações diretas ou indiretas a civilização pré-helênica (egéia ou creto-micênia), exerceram influxos, por todos reconhecidos, também sobre a cultura helênica em vários campos, da técnica e da arte aos mitos e às idéias religiosas. Já Heródoto, Platão, Aristóteles, Eudemo e Estrabão faziam provir dos caldeus, egípcios e fenícios, ciências cultivadas depois pelos gregos, como a Astronomia, a Geometria, a Aritmética; e Platão fazia gabar pelo velho sacerdote egípcio a antigüidade da sua sabedoria em comparação com a infância da grega].

Os gregos aprenderam com os babilônios o uso do quadrante solar, o gnômon e as doze partes do dia (Heródoto, II, 109). Constituídas já todas as artes (aplicadas às necessidades e ao conforto da vida), passou-se à descoberta das ciências que não eram dirigidas nem ao prazer nem às necessidades da existência; primeiramente, nos países onde havia quem desfrutasse o ócio das ocupações intelectuais. Por isso, criaram-se no Egito antes de em qualquer outro lugar, as disciplinas matemáticas, porque aí era concedido esse conforto à classe sacerdotal (Aristóteles, Metafísica, I, 1, 981 b).

O primeiro a observar estas coisas (astronômicas) foi um estrangeiro (bárbaro). Pois um antigo país gerou os primeiros observadores dessas coisas que, pela beleza da estação estival de que o Egito e a Síria gozam com prodigalidade, notavam, por assim dizer, sempre visíveis, todas as estrêlas, como os que habitavam partes do mundo sempre afastadas das nuvens e da chuva. E desde então (essas noções astronômicas) chegaram a todas as partes e também aqui (na Grécia), provadas desde tempos imemoriais e infinitos.. . Mas fixemos que aquilo que nós, os gregos, adquirimos dos estrangeiros (bárbaros) foi finalmente aperfeiçoado por nós (Epígnomis platônico: escrito provavelmente por Filipe de Opunte, 987 a, 987 e).

Oh! Sólon, Sólon!; vós, os gregos, sois sempre crianças... Não tendes ciência, que, por efeito do tempo, chegou a ser antiga... Neste país (Egito)... o que é transmitido se considera que seja o mais antigo que existe (Platão, Tim., 22 b; 23).

[Mas, a uma derivação da Ciência e da Filosofia gregas da oriental (afirmada especialmente pelo helenismo tardio e por alguns orientalistas modernos), a crítica histórica do século XIX objetou que a cultura oriental não podia dar aos gregos aquilo que ela própria não tinha, isto é, o espírito científico e o processo lógico da pesquisa. A Astronomia caldaica permanecia, com todas as suas observações e registros seculares, simples Astrologia, cujo fim essencial era o horóscopo; a Geometria egípcia, limitada a uma técnica de medidas para fins práticos, espécie de Agrimensura; a Matemática do Egito e da Caldéia, limitadas a cálculos empíricos, sem elevar-se às exigências lógicas da demonstração, representariam um estádio pré-científico, que o gênio grego logo superou por virtude própria, tornando-se criador da Ciência e da Filosofia. Todavia, estudos mais recentes revalorizaram em parte a Ciência mesopotâmica e egípcia, reconhecendo, junto à técnica dirigida a fins práticos utilitários, também, as vezes, um interesse científico desinteressado, uma tendência à generalidade e um encaminhamento à racionalidade. E junto a este início de pesquisa científica (reconhecido entre os babilônios especialmente na Matemática, e entre os egípcios na Medicina) admite-se também, nas culturas orientais, dentro da especulação religiosa, a existência e a formação de conceitos, envoltos, é verdade, em formas míticas, mas capazes de desenvolvimentos filosóficos. Lembremos os principais: 1) A idéia da unidade universal, afirmada entre egípcios e mesopotâmicos sob a forma de unidade divina, em vagas formas de pan-teísmo ("o Deus dos inumeráveis nomes, que cria os próprios membros, que são os Deuses"; "o Uno, único, pai dos pais, mãe das mães"; "soma das existências e dos seres", de que surge todo devir, que logo reflui a ele; 2) a Cosmogonia concebida, nas suas várias exposições, como passagem da unidade caótica indistinta primordial à distinção dos seres, como passagem do caos (caos aquoso: Tiamat, em Babilônia, Nun, no Egito) e das trevas à ordem e à luz (com Marduk, na Babilônia, Ra ou Rie, no Egito); 3) as diferentes explicações dadas ao processo cosmogônico, quer pela potência intrínseca do mesmo princípio originário (como na Babilônia Tiamat "mãe da totalidade, criadora de todas as coisas"), quer pela intervenção de um espírito sobre a matéria que contém os germes de todos os seres (como -Aton Ra, o espírito que sobrenada as águas de Nun, na Cosmogonia egípcia de Heliópolis), quer através da luta entre as potências opostas do caos e da ordem, das trevas e da luz, da morte e da vida, do ódio e do amor (Seth e Horus, no Egito; Tiamar e Marduk, na Babilônia); 4) a visão de uma conexão e simpatia universal, que une todos os seres da natureza; 5) a noção de uma necessidade ou lei que a todos governe, e a concepção desta lei como retorno cíclico universal que se completa no grande ano cósmico, com uma volta periódica de todas as coisas; 6) a idéia de um dualismo entre corpo mortal e alma imortal e a preocupação do além-tú-mulo e do juízo dos mortos que se liga (como aparece no Livro dos Mortos -egípcio) ao desenvolvimento das exigências éticas da justiça e da pureza moral.

São todos elementos fecundos de desenvolvimentos filosóficos, fáceis de transmitir na roupagem do mito, sob a qual se difundiram, de uma a outra, nas antigas culturas orientais. Como escreveu um autorizado orientalista contemporâneo (G. Furlani, O poema da criação: Enuma Elis, Bolonha, 1934, pág. 19), "nos últimos decênios começou-se a compreender que todo o Oriente antigo teve sempre uma civilização discretamente uniforme, formada de inumeráveis e complicadíssimos contatos, intensos e contínuos, entre as seis ou sete civilizações, da islamítica à egípcia, das micrasiáticas à sumérica". Através de contatos diretos ou indiretos, elementos importantes destas culturas, da técnica aos mitos, já se haviam transmitido à civilização pré-helenística; e tornam-se a transmitir à grega. E não deixa de ter significação o fato de terem a Ciência e a Cultura gregas nascido e se afirmado primeiramente nas colônias da Ásia Menor e na época (entre os séculos VII e VI) em que Mileto, Samos, Éfeso etc. tinham intensificado as suas relações diretas com o Egito e indiretas com a Mesopotâmia e o Irã, especialmente através da Fenícia e da Lídia.

Apresentamos aqui, em breves citações, algumas provas das cosmogonias e teorias cósmicas orientais: duas relativas à derivação do cosmos, de um caos aquoso primordial (como no mito grego de Oceano e na Cosmologia de Tales) na Cosmogonia babilônica e na egípcia; a outra relativa à idéia do grande ano, em que, periodicamente, se desenvolveria o ciclo cósmico].

Quando a parte de cima não era (ainda) chamada Céu, — a parte de baixo, a (Terra) firme, não tinha (ainda) um nome, — Apsu primeiro, o seu gerador, — Mummu e Tiamat, a geratriz de todas elas — suas águas misturavam-se entre si — não se havia (ainda) construído habitações (para os Deuses), — e a estepe ainda não era visível, — quando (ainda) nenhum Deus tinha sido criado, — e (ainda) não tinham nome, e os destinos não haviam sido determinados a nenhum, — os Deuses foram procriados no meio deles... (Enuma Elis, poema babilônico da criação: exórdio).

[Apsu é o abismo primordial, Mummu, o ruído das águas, Tiamat, o Oceano universal, que formam juntos o Caos aquoso originário, antes de nascer e ter nome algum outro Deus. Continua depois a história do nascimento dos outros Deuses (seres e forças cósmicas) e de formação do cosmos, e depois a grande luta entre as divindades primordiais ou forças do caos tenebroso e as divindades ou forças da luz e da ordem cósmica, que termina com a vitória destas últimas].

No começo era Nun, massa liqüida primordial, em cuja infinita profundidade flutuavam confusos os germes de todas as coisas. Quando o Sol começou a brilhar, a Terra foi aplainada e as águas separadas em duas massas distintas: uma gerou os rios e o Oceano; a outra, suspensa no ar, formou a abóbada celeste, as águas do alto, nas quais, astros e Deuses, transportados por uma corrente eterna, se puseram a navegar (Maspero, Hist. anc. des peuples de l´Orient, 27, de antigos papiros egípcios).

[O Sol, Atum Rie, é o espírito que sobe acima das águas e dá lugar à geração da primeira tríade cósmica, de que se origina depois a enéada divina dos elementos e das potências cósmicas].

Beroso (babilônio), que interpretou Belo, disse que o grande ano cósmico se completa pelo curso das estrelas, e afirma-o com tal segurança, como para determinar o momento da conflagração e do dilúvio (Sêneca).

[O grande ano cósmico, que é o período em que se completa o ciclo do eterno retorno dos giros cósmicos, tem o seu estio na conflagração, o seu inverno no dilúvio universal. Beroso, sacerdote caldeu do III século a.C, eco de antigas tradições da Babilônia, calculava-o em 432 mil anos (Cfr. Fragm. historie, graec, fr. 4 de Beroso); mas os autores gregos calculavam-no entre 10 e 30 mil anos, no máximo].

 

2. Os elementos preparatórios na reflexão religiosa e moral dos gregos.

 

a) O nascimento da reflexão e da pesquisa da maravilha {consciência de não compreender ou consciência dos problemas) :

 

[Conquanto os gregos pudessem auferir, das culturas orientais, numerosos e fecundos elementos de conhecimento e estímulos de reflexão, não obstante, eles, que eram impelidos, na sua mesma atividade de mercadores e colonizadores (como Aristóteles, na Constituição dos Atenienses, cap. XI, disse de Sólon), pelo duplo desejo "de comerciar e de ver", tinham na sua curiosidade inata e característica, um estímulo eficacíssimo para a criação da Ciência e da Filosofia. E os documentos e as notícias que temos sobre a sua atividade intelectual, anterior ao surgir das primeiras escolas filosóficas, mostram um vivo fermentar de pensamento, que ia preparando o desenvolvimento da Filosofia: a qual, por outro lado, no seu significado mais geral, de reflexão do homem sobre si mesmo, a vida e o mundo, é tão antiga como a humanidade pensante].

É característico do filósofo esse estado de ânimo: o maravilhoso, porque outro não é o princípio da Filosofia; e aquele que disse ser íris (a Filosofia) filha de Thaumante (a maravilha), parece que não estabeleceu mal a genealogia (Platão, Teeteto, 155 d).

A maravilha sempre foi, antes como agora, a causa pela qual os homens começaram a filosofar: a princípio permanecendo surpresos pelas dificuldades mais comuns; depois, a pouco e pouco, avançando mais, propuseram problemas cada vez mais importantes, como por exemplo os que giravam em torno dos fenômenos da Lua, do Sol e dos astros, e finalmente os relativos à gênese do todo (Universo). Ora, quem duvida e se maravilha, crê ignorar. E por isso, sob um certo aspecto, também o amante do mito é filósofo: uma vez que o mito se compõe de maravilhas (Aristóteles, Metafísica, I, 2, 982 b).

b) A primeira forma da reflexão: o mito e o seu parentesco com a Filosofia. A unidade primordial imediata entre os problemas humanos e problemas cósmicos. — O amante do mito é de certo modo também um filósofo, uma vez que o mito se compõe de maravilhas. (Aristóteles, loc. cit.). Por tradição os antigos, ou melhor, os antiquíssimos, (teólogos), transmitiram a nós, seus descendentes, na forma do mito, que os astros são Deuses e que o divino abrange toda a natureza ... Costuma-se dizer que os Deuses têm forma humana, ou se transformam em semelhantes a outros seres viventes... Porém, pondo-se de lado tudo o mais, e conservando-se o essencial, isto é, se se acreditou que as substâncias primeiras eram Deuses, poderia pensar-se que isto foi dito por inspiração divina, e, provavelmente de toda Arte e Filosofia... perdidas (nas catástrofes cósmicas cíclicas), estas opiniões conservaram-se até agora, quase como relíquia (da mais antiga sabedoria). E, assim, as opiniões dos pais e dos primeiros progenitores manifestaram-se na mesma medida (Aristóteles, Metafísica, XII, 8, 1074 b).

Há alguns que crêem que, também os mais antigos, que viveram muito antes da geração atual, e os primeiros a teologizar, tenham pensado do mesmo modo (como Tales) a respeito da natureza, uma vez que fizeram de Oceano e de Tétis os progenitores da geração, e a água, chamada pelos poetas Estígia, apresentaram-na como juramento dos Deuses: ora, o mais venerável é o mais velho, e o juramento é a coisa mais venerável. (Aristóteles, Metafísica, I, 3, 983 b).

Poder-se-ia suspeitar que o primeiro a procurar um princípio deste gênero (isto é, uma causa de que deriva o movimento dos seres) tenha sido Hesíodo ou qualquer outro, se (antes deles) colocou, nos seres, como princípio o Amor (Eros) ou o Desejo, como fez depois Parmênides. Pois também este, reconstruindo a gênese do universo disse: "Como o primeiríssimo entre todos os Deuses, ela (a Divindade que rege o universo) criou Eros". E Hesíodo: "O primeiro entre todas as coisas foi o Caos, depois a Terra de vasto seio, e Eros, que sobressai entre todos os imortais" — manifestando a necessidade, nos seres, duma causa que mova e una as coisas (Aristóteles, Metafísica, I, 4, 984).

[A forma mítica e antropomórfica desta primeira reflexão sobre a natureza não impede o reconhecimento dos mesmos problemas que depois serão objeto da Filosofia naturalista. Aristóteles já estava plenamente convencido disso.

Mas o antropomorfismo mitológico dessa primeira especulação tem grande importância sob um outro aspecto: que nos mostra como os problemas cósmicos são concebidos inicialmente sob a forma de problemas humanos, isto é, acham-se modelados sobre as normas destes, com a personificação dos elementos naturais e a concepção das suas relações como se estivessem governados pelas mesmas forças que regem as relações entre os homens. O que significa (evidentemente) que, ao contemplar e procurar compreender a natureza, o pensamento mítico já possua (e do mesmo modo possa usar) os conceitos relativos ao mundo humano: ou seja, que a reflexão sobre o mundo humano precedeu a reflexão sobre o mundo natural, que por isso, no seu primeiro surgir se entrelaçou e se apoiou naquele. E esta observação, tão evidente quão esquecida, basta para desorientar as convicções tradicionais (lugar-comum da historiografia), de que a atenção do homem se volte para a natureza física, antes que para o mundo humano, e por isso a Filosofia começa como Cosmologia, para transformar-se em Antropologia, somente em uma segunda e tardia fase. Em realidade, a precedência da forma mitológica demonstra o oposto; e (o que não é menos importante), também a Filosofia naturalista, no seu aparecimento conserva primeiramente, em parte, a forma mitológica antropomorfa, mostrando conservar a sua dependência da observação e meditação do mundo humano. Isto não escapava a Aristóteles, tal como aparece nas passagens acima citadas; e já havia sido visto claramente por Platão, quando notava que os elementos naturais são personificados pelos cosmólogos, que concebem as suas relações recíprocas como matrimônios, gerações e lutas, governadas pelas forças opostas do Amor e do ódio.

"Parece-me que cada um deles (os filósofos que querem definir quais e quantas são as coisas) nos relata uma espécie de mito, como se fôssemos meninos: um, que os seres são três e que algumas vezes se combatem entre si, e outras vezes, tornando-se amigos, convidam-nos para assistir às suas núpcias e nascimentos e educação da prole. Outro, que são dois (úmida e seco ou quente e frio), une-os e desposa-os. A estirpe dos eleatas entre nós, que começa em Xenofonte, ou até antes, conta-nos os seus mitos, como se o que se chama "todas as coisas" fosse uma coisa só. Certas musas jônicas (Heráclito) depõem, e algumas sicilianas posteriores a elas (Empédocles), concordam em pensar que seja mais seguro entrelaçar um mito com outro, e dizer que o ser é múltiplo e um, e que é conservado unido pelo ódio e pelo amor" (Sofista, 242 c).

Deve-se acrescentar a estas observações que não só as cosmogonias filosóficas se modelam em parte sobre as precedentes teogonias míticas, dominadas pelas relações de geração e luta, mas que o mesmo conceito de cosmos é tirado do mundo humano (a acomodação, a ordem da dança, a ordem dos exércitos) para ser aplicado a natureza, e que a idéia de lei natural é, no começo, uma idéia de justiça (Dike), com a pena de Talião para todas as infrações: ou seja, que toda visão unitária da natureza é apenas uma projeção da visão da polis (sociedade e estado dos homens> no universo. A primeira reflexão sobre a natureza apóia-se e une-se à reflexão sobre o mundo humano, que deve tê-la precedido para poder fornecer-lhe os próprios quadros e conceitos diretivos].

 

Observação: A fonte do texto acima é: MONDOLFO, Rodolfo. O Pensamento Antigo. Vol I, 3ª Edição. Editora Mestre Jou: São Paulo, 1971, pp. 09-15.

 

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