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Doutrina Católica: O pecado original (II)

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O primeiro ataque sério, dentro da Igreja, contra a doutrina do pecado original proveio do pelagianismo. Pelágio, monge de origem irlandesa, vivia em Roma no começo do século V. Seu severo ascetismo e as duras pregações que fazia contra a dissolução dos costumes na capital de um império decadente deram-lhe grande prestígio entre seus discípulos. Ao entrarem em Roma as tropas de Alarico (410), fugiu para a Sicília e depois para Cartago, junto com o advogado Celéstio, continuando a pregar com ardor o mais rigoroso moralismo, baseando-se nas exigências da natureza e insistindo na eficácia do esforço humano, para conseguir a virtude, deixando pouco ou quase nada à ação de Deus na conquista da salvação. É claro que esta ascética dependia de uma teologia que implicava a reinterpretação da doutrina católica do pecado original. Segundo Pelágio, o pecado de Adão não teve outra conseqüência para seus descendentes senão a de ter dado um mau exemplo. Além disso, um e outros eram mortais antes do pecado e nascem em igualdade de condições. Adão e seus descendentes – para Pelágio – podiam salvar-se só com o esforço da vontade, sem que, para Adão, fosse necessária a graça, e, para as crianças, necessário o Batismo.

Santo Agostinho (354-430) percebeu logo a gravidade de tais afirmações e imediatamente foram elas condenadas num sínodo em Cartago (411). Cinco anos depois (416) ocuparam-se da doutrina pelagiana outros dois novos sínodos: um em Cartago (63 bispos), outro em Milevi (59 bispos). Ambos foram confirmados pelo Papa Inocêncio I. A esta confirmação alude Santo Agostinho quando exclamou: “Causa finita est!” Mas o assunto não se encerrou. Vai a Roma Celéstio e consegue fingidamente, com rodeios à doutrina pelagiana, que o Sucessor de Inocêncio I, o Papa Zózimo (417-418), absolva Pelágio. Insistem os bispos africanos e o Papa lhes responde que está disposto a ouvi-los e que sua decisão anterior não fora definitiva. Chega a Cartago a carta de Zózimo no dia 29.04.418. A 1º de maio se reúnem mais de 200 bispos e suas decisões mais importantes sobre o pecado original e a graça foram confirmadas pelo Papa, e integradas, vinte anos depois, numa coleção, recolhida provavelmente por São Próspero de Aquitânia, conhecida pelo nome de Indiculus e aceita pela Igreja como expressão de sua Tradição.

O cânon 1 recorda que a morte de Adão foi conseqüência do pecado e não uma necessidade já predisposta; o cânon 2 confirma: a) que as crianças podem ser batizadas; b) que o Batismo das crianças redime o pecado original, no sentido verdadeiro e próprio. Ainda que não trate de precisar uma interpretação de Rm 5, 12, fundamenta, no entanto, na exegese tradicional e universal de tal texto a Fé da Igreja sobre o pecado original. O conteúdo deste cânon 2 é expressamente referendado pelo Papa Zózimo e pelo Indiculus. Quanto ao cânon 1, é mais difícil encontrar uma confirmação oficial com valor universal.

Texto: Hrd 1, 926-927; PL 56, 486-487

Cânon 1. Foi decidido [placuit] por todos os bispos (…), reunidos no santo Concílio da Igreja em Cartago, que: quem disser que Adão, o primeiro homem, foi criado mortal, de modo que, pecasse ou não pecasse, teria de morrer corporalmente [in corpore], isto é, que sairia do corpo não por castigo do pecado mas por necessidade da natureza, – seja anátema.

Cân. 2. Igualmente, foi decidido [placuit]: quem negar que as crianças recém-nascidas [parvulos recentes ab uteris matrum] devam ser batizadas, ou disser que, efetivamente, são batizadas para a remissão dos pecados, mas que de Adão nada herdaram do pecado original que tenha de ser expiado pelas águas do Batismo [lavacro regenerationis], donde se conclua que nelas a fórmula batismal “para a remissão dos pecados” deva ser entendida não como verdadeira, mas falsa – seja anátema. Porque aquilo que diz o Apóstolo: “Por um só homem [per unum hominem] entrou o pecado no mundo, e com o pecado a morte, e assim a morte passou a todos os homens, pois nele [in quo] todos pecaram” (Rm 5, 12), não deve ser entendido de modo diferente de como sempre o entendeu toda a Igreja Católica. E é, com efeito, por esta regra de Fé que também as criancinhas, incapacitadas ainda de cometer pecados pessoais, são verdadeiramente batizadas para a remissão dos pecados, a fim de que, na regeneração [batismal], se purifique [mundetur] nelas o que pela geração contraíram.

 [CONTINUA]

Fonte: Justo Collantes, A Fé Católica – Documentos do Magistério da Igreja

Fonte: http://sumateologica.wordpress.com/2011/05/19/doutrina-catolica-o-pecado-original-ii/

Santo Tomás de Aquino, Suma TeolóFfff

 

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